A Strigah acaba de lançar Zoetia, novo álbum da banda disponibilizado hoje pela CoffinJoe Records. O projeto se apresenta como uma experiência sonora densa, ritualística e impossível de encaixar em fórmulas previsíveis.
Construído a partir da fusão entre metal moderno, prog, industrial e elementos experimentais, Zoetia mergulha em temas que atravessam natureza, colapso urbano, alienação digital, espiritualidade e resistência. O disco opera como uma espécie de invocação sonora, onde peso e reflexão coexistem em constante tensão.
O próprio título sintetiza essa proposta: “Zoetia” nasce da união entre zoe (vida) e goetia (feitiço), funcionando como um “feitiço da vida” transformado em música. A banda explora grooves intensos, polirritmias, mudanças bruscas de andamento, vozes ecoadas e efeitos atmosféricos que ampliam a sensação de profundidade e estranhamento ao longo das faixas.
Mesmo em meio à agressividade, há espaço para momentos melódicos que atravessam o caos e adicionam novas camadas emocionais ao álbum. É um trabalho que desafia audições superficiais e recompensa quem mergulha em seus detalhes.
Nas letras, a Strigah conecta ambientalismo, misticismo, gnosticismo, bruxaria tradicional e cabala judaica para discutir temas como espiritualidade, luta política, hostilidade do mundo externo e libertação individual. Tudo isso sem perder a força visceral que sustenta o disco do início ao fim.
Zoetia surge como um lançamento voltado para quem busca música fora do lugar comum, longe de fórmulas prontas e confortável justamente por não tentar ser confortável. Um álbum inquieto, pesado e vivo, como um ritual elétrico acontecendo dentro do concreto.